30 de outubro de 2016

SE ISSO NÃO FOR AMOR, É O QUE?






Não sei o que ela pensa e nem qual nome ela deve dar quando comenta com alguém de nós. Porque nós não temos definição. Eu ainda não sei o que dizer. Se alguém perguntar da gente, nem sei responder. Só sei falar: ''Ah, ela é toda linda. Todinha.'' Ainda não consigo descrever o que somos, só sei sentir. Pois toda vez que estamos juntos, eu sou inteiro, verdadeiro e gigante. Nunca consegui fingir o que sinto ou esconder, principalmente quando estou na cama com alguém. Sempre fiz amor com amor e por amor. Nunca foi só sexo, gozar e ir embora. Mesmo que, às vezes, seja só por uma noite, eu sempre fiz com jeitinho, carinho e vontade. Nunca foi só por gozar, por sentir prazer e tirar o atraso. Nunca pensei só em mim. Nunca fui egoísta. Sempre penso em dar prazer para eu sentir prazer. Melhor satisfazer a outra pessoa, do que ir embora deixando ela na mão. Melhor dar um talento deixando a pessoa querendo mais, do que ela partir não querendo nunca mais te ver.

E eu sempre dou um talento. Não é querendo ser convencido não. É verdade. Eu rabisco e pinto. Eu viro do avesso. Eu maltrato com amor. Eu bato com carinho. Eu faço com vontade. Eu sempre sou mais Eu, tentando, sempre, dar o meu melhor. E gosto de pessoas assim, que se entrega mesmo, de corpo e alma. Sem medo, sem frescuras e sem docinho. Porque se não for para fazer a pessoa sentir ser ela mesma na cama, ou eu ser eu mesmo, eu já evito. Aqui é assim: ou toca, ou não toca.

Sou um tipo de cara que costuma ficar até o fim da noite ou até raiar o dia. Sempre quis alguém que me acompanhasse assim; até acabar a cerveja e só sobrar o amor, de dar boa noite para dormir e desejar bom dia quando acordar, do primeiro beijo molhado até o último cafuné antes de pegar no sono. Afinal, quando me envolvo e me entrego, sempre vou por inteiro, completo e decidido. De malas prontas. De coração cheio e com sede de amar.

E falando dela, cara... ou, sei lá, de nós...

Não importava se era amor que a gente fazia ou apenas mais uma transa. Poderíamos dar qualquer nome para isso, mas o mais importante ali era o carinho e a sintonia que a gente tinha depois do sexo: a intimidade e o respeito que um sentia pelo outro. Não sei também qual nome dar para tudo isso que a gente ta vivendo: amor, paixão ou só mais uma foda pra matar a saudade ou vontade que sentimos durante os dias que a gente ficava sem nos ver. Nem sabíamos dizer o que, exatamente, tava rolando. Só sabíamos que era bom. E é verdade, era não, continua sendo. E muito bom, bom até demais. Não tinha nada mais bonito que passar a noite toda nos amando e, antes de pegar no sono, trocar aquela ideia, aquele carinho, dar aquele abraço, fazer aquele cafuné, aquela massagem, dar aquele beijo, aqueles apertos e, um olhar para outro, mesmo sem dizer nada, deixar apenas o olhar dizer que, estar ali, grudados em pele e em coração, está sendo bom demais. É tá mesmo.


Afinal, se isso não for amor, é o que?

Fernando Oliveira.

27 de outubro de 2016

UM PRESENTE PRA ELA. [+18]



Ela, ao me recepcionar de toalha e cabelo solto em seu portão, foi um ingresso caro para o espetáculo da nossa noite. Passar a mão por cima do meu shorts abrindo calmamente o meu zíper foi um convite para o nosso show. A sua cama era o meu camarote. Te ver de cabelo solto e blusinha sem o sutiã, sem calcinha e com um shortinhos de seda socado na bunda, era de se devorar com os olhos. O meu pau já tremia dentro da cueca. A minha respiração aumentava com o coração pulsando forte. Era um pouco de amor, talvez. Tesão, sempre.

Beijar aquela boca era como escrever sobre romance, eu não queria mais parar. Cada passada de barba naquele pescoço era um conto picante. Cada aperto naquela cintura era um texto erótico. Cada toque naquela boca macia era uma frase de amor. Mas não era aqueles tipos de beijinhos meigos não! Era beijo mesmo. Beijo fodido. Beijo com tesão. Beijo com pegada, molhado e demorado. Sabe do que eu tô falando? Eu a engolia com os lábios, cara. Eu devorei ela com a língua, porra. Foi, literalmente, o BEIJO. 

Tirar aquele sutiã dentro do beijo era a melhor parte. Segurar forte aqueles seios grandes e redondos com as mãos deveria ser para sempre. Tipo, podia me congelar alí e parar o tempo com aqueles peitos em mãos que eu nem ligaria pra nada. Era uma delícia, um prazer em tanto; sentir nós dois bem calmos em corações dentro de cada beijo dado e passada de mão sem limites. Amor é isso; quando sem pressa, dois corpos se encaixam em perfeita harmonia e acabam se encontrando. E todas as noites eu a encontrava com a Mulher que ela realmente era e que poucas pessoas na sua vida conseguiram fazer ela ser que, sempre, eu fazia.

Adorei devorar aquele pescoço. Era nele que eu descobria o que ela exatamente escondia por trás de si. Era só uma passada de queixo com a minha barba-por-fazer pertinho do ombro pra ela se revelar. Suspiros. Gemidos. Sussurros. É em um beijo no pescoço, numa segurada forte na nuca prendendo firme o cabelo entre os dedos que a gente descobre quem é pra noite inteira ou só pra uma noitezinha. E aquela mulher, com aquele beijo eu não tinha dúvidas, cara, ela era pra todas as noites. TODAS.

E qualquer dia, nem quero que ela ousa em me falar; ''eu te busco'', porque não precisa me buscar, se for por ela, eu vou. Eu me jogo. Eu dou meus pulos. Não precisa me pegar em algum lugar ou me dar carona na hora de ir embora. Se for me pegar, me pegue na sua cozinha, no seu banheiro ou na sua sacada. E se for ousar em me dar carona algum dia, me leve para sua cama. Sim, de mãos dadas. Ou, com eu te abraçando por trás e te jogando contra parede. E essa carona vai ser uma daquelas que eu não vou querer que nunca tenha um fim. Porque se for parar na sua cama, tomara que seja uma carona eterna só de ida e sem volta.

Achava obrigatório dar - sem ela precisar pedir - um daqueles beijos mordiscado nos peitos. Sim, nos dois. Nos mamilos. No biquinho, sabe? Ai tu chupa. Tu suga pra dentro da boca enquanto sua mão aperta fortemente o outro, acariciando, assim; levemente. Entende? É obrigatório essas paradas. E não tinha algo mais arrepiante quando eu descia devagarinho a minha mão até àquela calcinha e ao tocar com os meus dedos, sentia ela gemer, se entortar de tesão com a calcinha completamente úmida, quente, molhada. QUE DELÍCIA.

Me lambuzar, lamber e chupar aquela buceta que me esperou por essa noite era o que eu mais queria. Eu abri, eu puxei, eu caí de boca. Sim, de cara. Eu gosto de sentir o cheiro daquela mulher. Eu gosto de provar do gosto daquele mel que ela solta quando a gente troca beijos e apertos. Eu devorei aquele clítoris enquanto latejava na minha boca. Eu sentia aquele grelo pulsando na minha língua. Eu chupava sem pausas, todinha. Sem paradas. Rápido.  Fazendo com que ela se esquecesse do que iria fazer no dia seguinte. Fazendo com que ela esquecesse de tudo que fosse ruim. Fazendo, literalmente, ela esquecer do mundo lá fora, e ali, dentro daquela chupada, só implorasse para eu entrar fundo dentro dela. Lá dentro.

Por que chupada tem que ser assim mesmo; completa. Ousada, também. Tem que cair de boca, de cara, de nariz e de queixo. Tem que improvisar. Sem nojo, porra. Mulher não gosto de quem tem nojinho não. Jamais um homem pode esquecer de chupar a mulher. Jamais um homem pode esquecer que uma mulher tem um clítoris, e que ele tem um dedão e uma língua para saboreá-la e fazê-la viajar de norte ao sul, do Brasil à China. Um dedo aqui, uma línguada ali. Um aperto aqui, uma chupada ali. Mulher gosta de cara que sabe inovar. Mulher gosta do improviso, do inesperado, da surpresa, e não da mesmice. Mulher odeia cara que não sabe o que fazer quando tem ela em mãos ou na cama.

Eu a convidei pra sentar na minha cara. Sim, claro e óbvio. Afinal, era a noite dela e eu era o seu presente. Eu pedi pra ela rebolar enquanto minha língua entrava por dentro daquela buceta. Porque naquela noite eu não tava pra namorar e nem fazer amorzinho; eu tinha ido pra foder. Isso mesmo, FODER. Porque ela gosta. Porque ela tava precisando. E eu também, principalmente de sentir, novamente, aquele cheiro. Aquele ar de amor, de tesão e de minha puta. 

Acabei com ela literalmente. Sem massagem. Foder ela com raiva e com saudade por ficar uns dias sem nos ver e o desejo só aumentar, foi demais. Fui com força, porque é disso que ela precisava. Fui com raiva, porque é disso que ela gosta. Sim, sem dó. Foi de 4, de lado, de frente e de costas. Fui fundo. TUDO. Profundo. Enchi de tapas de ficar marcas porque é isso que ela me pedia. Puxava o cabelo dela só pra ver aquela cara de cachorra, porque é disso que eu gosto. Gosto de vê-la Mulher. Gosto de vê-la realizada. Gosto de vê-la gozando pra mim. Sim, no meu pau, na minha boca, onde ela quiser. Porque ela pode! Pode tudo! Gosto de vê-la sempre satisfeita com tudo isso que ela tem na cama, principalmente comigo, que sou Eu, o seu moreno.

Fernando Oliveira.

18 de outubro de 2016

ME ASSUMA, OU CORRA!


Eu não sabia o que éramos. Aliás, até hoje não sei. Na verdade, não sabia exatamente o que ele queria e nem o que ele sentia. Se era amor ou só aquela vontade passageira. Eu só sabia de uma coisa: Eu gostava. É, por incrível que pareça, eu gostava. E gostava tanto a ponto de parar o mundo para poder ver ele. De desmarcar compromissos para estar com ele. De deixar a amiga ir pra balada sozinha e ir pra casa dele. De mentir para os pais, dizendo que iria na casa da amiga, para encontrar ele na 1ª esquina. 

Quando eu perguntava sobre nós, ele rapidamente mudava de assunto. Quando eu queria um dia de carinho, ele queria sacanagem. Quando eu queria pegar um cinema, ele queria ir pra balada. Quando eu queria rosas, ele me dava uma nova lingerie. Quando eu queria abraços, ele me passava a mão. Eu odiava a falta de carinho dele, mas adorava aquela safadeza e ousadia junto daquele olhar sexy de galanteador nato que só ele tinha. 

Ele tinha eu por completa, mas nunca quis me assumir. Eu brigava e vivia discutindo por falta de sua atenção, mas ele não tava nem aí e resmungava dizendo que ia ser mais presente. Chegava o fim de semana, ele sumia. Quando me procurava, era no fim da noite. Segunda ou terça, me aparecia com aquela cara de pau dizendo: ''Oi-amor-tudo-bem-saudades-quero-te-ver'', como se nada tivesse acontecido.  Mas o que eu iria fazer sendo que era isso tudo que eu mais queria? Como dispensar aquilo que a gente tanto quer? Como dar tchau querendo um abraço? 

Lutei muito para me aprofundar e tentar criar um novo relacionamento que fosse saudável para nós. Me envolvi, mesmo com todo mundo dizendo que não seria um bom caminho para mim. Me entreguei de corpo e alma, mesmo dizendo para mim mesma que desta vez eu não iria me apaixonar. Doce engano. Nunca consegui controlar o coração. Tem coisas que me amolecem duma forma tão fácil, que não há saída ou escapatória, quando vou ver, buuuummm, é tarde demais.

Bati de frente e evitei pensar que poderia dar errado de novo. Encarei tudo isso, para tentar, dessa vez, dar certo. Cuidei, preservei e valorizei. Eu, quando gosto, faço essas coisas. Nada me impede e faz com que eu mude meus caminhos quando eu tenho um só pensamento que é de ser feliz e de fazer feliz. Foi aí que, num dia qualquer, peguei o amor que tanto queria, guardei numa caixa pequena, subi na cadeira da cozinha, coloquei bem no alto daquela estante antiga que já estava mofada de tão velha que era. E mesmo assim, quando eu menos esperava, o amor despencou. Caiu. Pufff. Lá de cima.

Sentia que ele não tava mais a fim e só me procurara para matar sua sede de amor. Sentia que ele não queria mais nada, há não ser, me por na sua cama. Sentia que estava sendo usada e servindo de passa-tempo. Sentia que, no fundo, ele não passava de um canalha, que me enrolou esse tempo só  por algumas noites de sexo. Sentia que, depois de ter esperado tanto, cuidado, preservado todo este tempo, fui uma tremenda otária por dispensar tantos caras por aí para, enfim, estar ao lado dele. 

Sabe quando nasce a raiva? Quando a gente pega o nojo? Sabe aquele ódio-rancor-receio-saudade-maldita que fica quando um amor que a gente tanto queria, chega ao fim? Vocês sabem do que eu tô falando? O fim. O fim, pô. Ele aparece do nada sem nos avisar. Chega e pummm, derruba geral. Não é? O pior fim é aquele que chega sem avisar. O pior fim é aquele que a gente pensa que nunca vai acontecer e acontece. O pior fim é o inesperado. E tem sido assim. O amor, quando acaba desta forma, parece que ele nunca existiu. Daí passa meses, você encontra a pessoa na-rua e já logo fala para a amiga: ''Porra, como eu consegui gostar duma merda dessa aí?'' 

Sabe quando a pessoa não tem coragem de te assumir? Quando a pessoa não sabe o que realmente quer? Quando a pessoa enrola a sua vida? Quando ela esconde todo o seu amor? Quando ela faz você esperar por uma resposta? Quando a pessoa não liga mais? Quando começa a ficar longe? Quando ela começa a conhecer outras pessoas? Quando ficamos parado no tempo esperando por uma resposta simples e importante? Sabe quando a gente se pergunta: Será que ainda vale à pena? E quando bate a saudade e a vontade de estar perto? E quando os amigos perguntam de nós? Se ainda estamos juntos? O que responder? O que falar? Um dia vou criar um novo status de relacionamento chamado: ''Ainda não sei o que somos". E levar para sempre comigo.




Fernando Oliveira.

17 de outubro de 2016

TALVEZ VOCÊ ME ENCONTRE AMANHÃ POR AÍ... OU NUNCA MAIS.



Tudo que eu fiz foi de coração e por vontade própria. Não foi nada forçado. Nem por impulso. Não sei agir assim, como se alguém tivesse me obrigando a fazer algo, muito menos tentar obrigar a alguém fazer algo por mim. Amor não é imploração, nem cobrança. Se a pessoa não quer, tudo bem, aceite, vai viver. Se eu não quero, ninguém tem que me forçar ou querer me comprar com algo, aceite-me como sou. Não sou desses. Ou eu sinto muito, ou não sinto nada. Mas prender, ou ficar preso em um coração forçado, não é minha praia. 

Mas falando de nós dois, bom, eu não me arrependo de nada, sabe, nem dos presentes nas datas comemorativas, muito menos das noites mal dormidas esperando você chegar. Só me arrependo mesmo das brigas que acabavam com a gente, dos desentendimentos que podíamos acalmar, do ciúmes exagerados que podíamos controlar, e de todo esse amor que desperdiçamos. A culpa não foi de ninguém. A culpa foi nossa. Afinal, foram essas coisas que acabaram com a gente. Não teve traição ou falta de respeito, graças à Deus, só faltou entendimento e compreensão em ambas das partes. Talvez, sei lá, só éramos para viver um amor de verão, mas não para ficar juntos pro resto da vida. Vai saber?

Só me arrependo dessas coisas porque dava para ser tudo diferente, tudo mais claro, mais bonito, mais verdadeiro e mais nós dois. Porque de resto... a foi tudo muito bom. E dentro disso tudo, eu absorvi um aprendizado enorme e uma boa experiência pro coração para seguir a vida. Fiquei mais esperto e mais firme, mais ligeiro e mais seguro. Tenho certeza que não será qualquer coisa que irá me abalar daqui pra frente. Tô durão agora, sabe? Cê me entende? Tipo coração de pedra. Duro mesmo.

E mesmo que cada um siga a sua vida para um caminho melhor, eu guardei aqui dentro da gaveta do coração, só coisas boas; os bons momentos e os bons abraços, os melhores beijos e as melhores noites em que a gente perdia o fôlego, o rumo, o juízo, a dignidade, a vergonha, mas nunca perdíamos o tesão e nem a ousadia que a gente tanto tinha um com o outro. 

Ah, mas não se esqueça: o carinho e o respeito que tenho por você e por nós, continua o mesmo. Se eu ainda gosto de você? Sim, mas não como antes, só por admiração da pessoa que você é. Se vai dar saudade? Talvez, quem sabe. Se um dia vai voltar a ser como era antes? Não, nunca. Afinal, o que se quebra, jamais volta ser como era. Mas vai ficar tudo bem, eu creio. Não precisa se preocupar tanto comigo assim, pode ficar na paz e ir viver. E quem sabe, talvez, você me encontre amanhã por aí, ou... nunca mais. Até.

Photo: Talitha Diniz.

Fernando Oliveira.  

5 de outubro de 2016

MAS MEU BEM, AMOR NÃO SE IMPLORA.



Não foi fácil ver você arrumando todas suas coisas para ir embora, sumir e partir de vez. Não foi fácil ver você juntando pedacinho por pedacinho da nossa história, por na bolsa, bater a porta e sair sem me dar tchau. Não foi moleza te ver tirando suas roupas do guarda-roupa que já faziam parte das minhas, levando os quadros com as nossas fotos, os seus sapatos, os perfumes e todo o nosso amor. Tínhamos tantos planos e desejos para realizar, que ainda não acreditei que tantas vontades se afundaram assim, do nada.

Não foi fácil. Mas eu já estava tão acostumada com essas suas idas e voltas que, com certeza, dessa vez não seria diferente. Foi tudo do mesmo jeitinho. Você só queria uma ''discussãozinha'' para pegar o bonde e seguir outro rumo. Você só queria um motivo para ir embora. Você só precisava arrumar uma brigazinha besta, pra querer ficar na razão e sumir. E foi o que houve, pufff, grande burrada da tua parte.

Eu já tava tão acostumada com tudo isso, que dessa vez, eu vi como se fosse algo normal. Te ver partir e daqui duas semanas você voltar, dizendo que foi embora por impulso, por estar bravo, e pedir desculpa dizendo que dessa vez vai ser tudo diferente, já até cansei. Só que agora as coisas complicaram pra você. Chega. Acabou. Pode ir e nem voltar mais. Não vai ter a próxima vez. Chega disso. Dessa vez foi eu quem cansei. Tava tão difícil aturar essas suas idas que agora passou a ser algo fácil de lidar. Aprendi a segurar a barra. Aprendi com os meus próprios erros de querer aceitar teu jeito doido, de querer ir e voltar na hora que quer, achando que aqui é bagunçado assim. No fundo, eu acabei aprendendo a viver sem você. 

Antes eu até me enlouquecia achando que você nunca mais iria voltar ou que tava perdendo um grande amor. Como eu estava enganada, hein? Sendo que, se fosse amor mesmo, não iria embora tão fácil assim, não partiria de vez; por impulso, por briguinha, por besteira. Amor fica, luta, insiste, briga. Amor entende, compreende, aceita, e faz de tudo para ficar na paz. O amor não vai fácil. Ele, nem sequer, pensa em ir. 

Eu já tinha implorado tanto das últimas vezes para você não ir que dessa vez eu só aceitei. É, aceitei. Não tinha mais nada a ser pedido, implorado, chorado. Não tinha mais o que chorar, o que cobrar, o que querer. Não valia a pena. Eu aceitei a sua ida com o coração no chão, mas fui mais forte ainda para pegá-lo e ter colocado no próprio lugar. Na hora deu até vontade de te dizer mais uma vez: ''Não vai, amor. Fica aqui pra sempre.'' Mas meus pensamentos mudavam depressa. Eu não tinha mais aquela vontade de te segurar pelos braços e dizer: ''Você vai ficar!!!'' Dessa vez foi tudo diferente. Eu consegui te ver partir. Foi difícil, te juro, mas foi necessário. Afinal, amor não se implora. Não se compra. Amor é dado por vontade própria do outro. E se isso não acontecer, bom... nem vale a pena ter. 

Photo: Tuany Bertolucci.

Fernando Oliveira.