11 de março de 2014

Um dia, esse dia virá.



Eu sei que seu príncipe vai chegar, eu tenho certeza disso. Mais cedo ou mais tarde, ele vêm. Não sei se vem montado em um cavalo branco, vindo da lua, com rosto perfeito e olhos azuis da cor do pacífico, ou, se virá apenas em um rosto humilde com uma pequena flor nas mãos e atitude nos olhos; mas um dia ele virá, tenha certeza disso. E quando chegar este dia, sairá faíscas de seus olhos e o coração fechado se abrirá num sopro que virá de sua boca. Seu rosto pálido feito os campos amarelos de trigo debruçarão com a força do vento e, vermelho ficará ao rubor do sol de fim de tarde de inverno. Virá sobre ti uma corrente de felicidade e nervosismo que irá misturar à força de seus olhos caramelos, e correrão lágrimas de mel pela seu rosto. Eu sei que este dia vai chegar, e quando ele vier eu serei apenas um ponto perdido em seu espaço. Se interrogação lhe fui durante o tempo necessário para que encontrasse seu caminho de paz, exclamação eu vou ser diante de sua alegria quando encontrá-la. Viverei nas estrelas marcando seu caminho de volta pra casa, como uma bússola perdida no espaço de sua memória. Eu sei que uma pontinha de inveja vai roer meu coração por dentro, e minhas mãos vão se levantar pra tentar buscar tocar com as costas o seu queixo pra você sentir que estarei ali, mas a consciência me acusará que isso não foi feito pra gente, e elas voltaram pra secar minhas lágrimas. Essa não é ainda a nossa vez. Quem sabe da próxima. Seu príncipe vai chegar, eu tenho certeza disso. E quando ele vier esteja pronta pra recebê-lo. Mesmo triste por saber que ainda não sou eu, eu vou estar feliz por saber que fiz parte de algo bom para você. Mesmo morto como referência lúcida nos seus dias, eu vou viver pra fazer parte de todas as suas histórias e você... das minhas.

Fernando Oliveira.

3 de fevereiro de 2014

Esperar, para ter.



E era só ela chegar para o encanto todo acontecer. Não tinha hora marcada e eu quase nunca trocava de roupa. Estava sempre do mesmo jeito e bem simples. Usava sempre o mesmo perfume pra lhe esperar, pois sabia sempre que não tinha horário certo, nem o dia exato que apareceria, mas eu sempre ficava ali no mesmo banco do campo. À espera daquele momento certo! Todo mundo dizia: Meu Deus, como aquele garoto é bobo, fica ali sentado todos os dias esperando por alguém que nem sabe se este alguém um dia virá!!! Mas mesmo assim eu insistia e insistia. Não é que eu era teimoso, embora que, teimosia sempre esteve dentro de mim. Pois sabia que um dia qualquer, tudo aquilo que a gente teve paciência e calma de esperar, vai chegar. Não é que eu acreditava sempre, pra falar a verdade se precisasse de uma pessoa descrente, este alguém era eu. Mas neste caso eu sobrevivia do pouco, que pra mim era muito, sempre quando ela vinha. Sempre soube que, esperar na vida, é tudo. Ainda mais quando a gente espera com o coração. A vida me ensinou a esperar. Às vezes eu me cansava, tinha vontade de sair e ir embora. De nunca mais aparecer por ali naquele campo, naquele banco, naquele horário. Esquecer tudo e guardar apenas na lembrança o que restava, mas como uma casca de ferida que não se fecha tudo ficava lá. Preso e acumulado. Aguniado eu ficava, sentado e bisbilhotando a natureza, o fim da tarde, as núvens, os pássaros, a neblina, o arrepio que sentia do frio. Não era tão simples assim. Não era só dizer que não queria mais, pois, a dúvida sempre parava nessa hora, e eu sempre me perdia dentro das mensagens sublimadas e me dizendo: Acredite, ela um dia virá. E falando sozinho, perguntava-me: Mas por que de tanta distância se o coração ficava tão perto? Era impossível conter as lágrimas quando elas rolavam feito as nuvens dissolvendo chuva no meu rosto. Era improvável dominar o pensamento com alguém sepultado vivo dentro dele. Não era a consciência que doía, era a vontade que martirizava. Era difícil aceitar as migalhas que a vida me dava, mas quando ela vinha.... Ah quando ela vinha, a vida ganhava sentido e o sol se abria. Nuvens de poeira cor de rosa desenhavam fachos de luzes na minha frente e a mágica acontecia. Eu via o céu, e o céu me via. E era assim quando, depois de tanto tempo esperando-a, chegava de mansinho bem perto de mim, abraçando-me por trás, dizendo bem baixinho no meu ouvido tudo aquilo que eu tanto esperei: Pois é amor, eu voltei. 

E sobrava sorrisos em mim.

Fernando Oliveira.